
Quando eu tinha 17 anos, no finalzinho do Ensino Médio, senti como se existisse um peso na consciência por querer fazer Pedagogia. As pessoas lançavam sobre mim olhares de pena, de misericórdia, como se aquela escolha fosse acabar com a minha vida. É bem verdade que a profissão que escolhi para exercer enquanto eu viver é um caminho cheio de privações, pressões, preocupações e dias sem dormir, mas eu não entendo o motivo de tanta pena. É por causa do salário? Ou seria pelo sacrifício de trabalhar muito e ser pouco reconhecida? Mas então, por que será que ninguém olha o outro lado? Por que ninguém pensa: Que maravilha ser professor! Afinal, há alegria maior do que contribuir para o crescimento, o desenvolvimento das pessoas? Nada nem ninguém paga o prazer de ensinar a uma criança a ler, a escrever, a se relacionar, a andar... Acredite, eu sou muito satisfeita profissionalmente e não trocaria minha profissão por nenhuma outra. Mas, uma certeza eu tenho: educar é um dom, uma vocação, um ministério.
Eu já me incomodei muito com o que os outros pensavam ou falavam sobre minha escolha profissional, mas hoje eu sei que esta é uma experiência única e só conhece o seu valor inigálável quem vive. É viver pelo amor, pelo desejo de guiar o outro pelos caminhos do conhecimento.
Eu ensino a crianças de quatro anos, sabe? E ao longo do ano, eu aprendo muito com elas. Educar é uma troca. Aprendo todos os dias com os sorrisos dos meus amores, com as frustrações, com as vitórias. Eu vibro por cada letrinha que eles aprendem, por cada coisa que eles conseguem dividir. Também sofro com uma queda, com uma febre ou por, muitas vezes, não poder suprir os seus desejos naquele momento. Sabendo disso, muitas pessoas acham que professor é pai e mãe. Definitivamente não é isto que eu quero dizer! O que eu quero demonstrar com palavras é que se sentir professor é a melhor coisa do mundo.
Aí, alguém deve estar pensando: se ela ama tanto aquilo que faz, então por que quer ser professora universitária? Na verdade, este nunca foi o meu sonho. Sempre quis ser professora dos pequenos e poder compartilhar a idade da verdade, da alegria, da inocência. Sempre sonhei em ter minha própria escola, onde as crianças pudessem criar asas e montar nos seus cavalos imaginários. Sempre sonhei em viver por uma educação de qualidade, onde a criatividade e o incentivo fazem das crianças adultos mais críticos, seres pensantes no futuro. Isso sempre foi e sempre será o meu grande sonho. O sonho pelo qual palpita meu coração e faz meus olhos brilharem.
Mas, infelizmente, a gente vive num país onde a educação é pouco valorizada e, consequentemente, os professores parecem não ter valor algum. São pessimamente remunerados, não há incentivo para crescermos na profissão, é tudo um horror. E aí, a gente acaba tendo que abrir outras portas no nosso sonho. Na verdade, eu fico muito triste em pensar que preciso buscar outros meios para viver bem, enquanto ser professor deveria ser uma profissão nobre, algo admirado, valorizado, reconhecido. Então, a vida tem me mostrado que por mais que eu ame o que eu faço, eu preciso buscar outros caminhos, mesmo que temporários para buscar uma qualidade de vida.
Que alegria vai ser o dia em que o professor for respeitado, amado, aplaudido! Quando isto acontecer, aí sim, eu poderei dar asas aos meus sonhos e me permitir ser feliz e realizada com a minha profissão. Quando isto acontecer, não somente o prazer e a alegria que eu havia citado anteriormente serão motivadores de viver para educar, mas também o reconhecimento. Como eu desejo, como eu espero por este dia!
E aí, quando isto acontecer, aqueles que me olharam com misericórdia entenderão que ser professor perpassa por valores profundos, valores eternos.
Um comentário:
Você disse tudo! "educar é um dom, uma vocação, um ministério."
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